Empresário que conheceu o tênis em Serra Negra trabalha com as maiores celebridades do esporte

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O amor em quadra. Ricardo Dipold, que há alguns anos frequenta Serra Negra (aliás, ele já morou e trabalhou na Cidade da Saúde), hoje trabalha nos maiores torneios do mundo do tênis, encordoando raquetes dos grandes nomes da modalidade.

Dipold conheceu o tênis com a esposa. Com o tempo, buscando se aprimorar ele chegou aos dias de hoje, viajando o mundo e acompanhando os grandes torneios. Ele conversou sobre o vínculo com a modalidade e também o seu mundo atual.

A partir de segunda-feira (18/1), Dipold estará no Australian Open – o primeiro Grand Slam do ano. Ele também trabalhará nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro.

Como começou o vinculo com o tênis?

O meu vinculo com o tênis veio graças a minha esposa, Priscila. Ela jogava tênis desde a adolescência.. A idéia surgiu num dia que voltei para casa um pouco irritado depois de uma tentativa frustrada de me divertir com os amigos no basquete, esporte que pratiquei desde os 7 anos de idade. Eu tentava montar um grupo fixo de amigos que jagavam basquete. Era muito dificil juntar 12 pessoas duas vezes ou três vezes por semana em certos horários.

Neste dia em particular, minha esposa disse: Você não acha que tem alguma coisa errada?. Você está saindo para se divertir e volta irritado?

Então decidi que aprenderia a jogar tênis com ela, pois teria minha parceira fixa e o melhor de tudo, estaria me divertindo com a minha esposa. Nunca mais a deixaria sozinha em casa para praticar esporte. Muita esposa reclama do marido deixar ela em casa para jogar futebol, não é mesmo? Então resolvi dois problemas de uma vez só

Como você chegou ao encordoamento?

O encordoamento veio de uma forma inesperada. Quando me envolvi com o tênis, queria evoluir rápido, de maneira sólida e para isso eu comecei a estudar o esporte, a técnica, preparação fisica e dentro dessas pesquisas, percebi que o equipamento mudava de acordo com o estilo de jogo escolhido pelo jogador. Foi aí que me apaixonei por equipamentos de tênis. É uma variedade realmente grande de especificações.

O verdadeiro empurrão final devo a minha amiga Marilia Chagas. da Pharmako. Um dia estávamos jogando em sua casa e eu já estava querendo mudar algumas coisas na minha vida profissional. Ela me disse que pela minha paixão ao tênis, não me via sendo feliz profissionalmente fazendo outra coisa a não ser estar próximo e trabalhar com tênis. Dessa conversa veio a idéia de montar minha loja de equipamentos em Serra Negra:  Ponto de Contato Tennis Shop.

Para isso fui me especializar, buscar a maior e melhor graduação no mundo. Me certifiquei como MRT – Master Racquet Technician (Técnico Master em serviços de Raquetes) na USRSA – United States Racquet Stringers Association (Associação Norte Americana de Encordoadores de Raquetes ) e logo no ano seguinte também me certifiquei como PTS – Pro Tour Stringer (Encordoador Profissional de Torneios ATP/WTA) na ERSA – European Racquet Stringers Association ( Associação Européia de Encordoadores de raquetes). Hoje sou responsável por ministrar workshops e certificar novas pessoas na América Latina, do México à Argentina. Se a pessoa quiser trabalhar com encordoamento profissional, ele tem que fazer um workshop e algumas provas conosco.

Quais grandes jogadores já tiveram as raquetes encordoadas?

Já tive oportunidade de trabalhar com grandes nomes do tênis mundial, inclusive vários dos meus ídolos. No masculino: Roger Federer, Rafael Nadal, David Ferrer, Jo-Wilfried Tsonga, Tommy Haas, Irmãos Bryan, Davi Nalbadian, Nicolas Almagro, Thomaz Bellucci, brasileiro número 30 do mundo que já cuido há três anos. No Feminino: Serena Williams, Venus Williams, Victoria Azarenka, Caroline Wozniacki, Maria Sharapova, Francesca Schavoni, Sara Errani, Paula Gonçalves, Bia Haddad Maia, entre outras.

Como é viver neste certame mundial?

Primeiramente acredito que como em toda profissão, a paixão pelo que se faz é fundamental. Para quem vê de fora, parece tudo alegria, tudo glamour, mas, na realidade acho que o grande segredo é saber que você está contratado por estes jogadores para trabalhar e não para ser mais um fã deles.

Lógico que o contato com eles, os lugares onde frequentamos são objetos de desejo para a maioria dos tenistas, mas é meu trabalho. Isso mantem minha vida, pago minhas. É necessário separar o Ricardo fã de Roger Federer e Nadal do Ricardo encordoador de Federer e Nadal.

Qual é a expectativa de estar num Grand Slam trabalhando e se divertindo com os jogos?

A expectativa é a maior possível. Realmente é um dos pontos mais altos de minha carreira. Eu acho que a única coisa que superaria estar dentro de um Grand Slam seriam os Jogos Olimpicos, que graças a Deus também estou escalado para trabalhar.

O reconhecimento por ser uma pessoa em um grupo seleto de 16 pessoas em todo o Mundo é realmente gratificante. Retribui todo o esforço, todos os sacrifícios que tanto eu como minha família fazemos para poder estar ali, pois por trás de tudo isso vem uma série de sacrifícios.

Os números impressionam um pouco. No Australian Open calculamos aproximadamente 5200 raquetes reencordoadas em 15 dias sendo que normalmente fazer de 3 a 4 raquetes por hora de trabalho. Nossa sala de encordoamento tem um horário de funcionamento que é das 7 da manhã até as 23 horas (isso quando os jogos acabam neste horário, e vale lembrar que o Australian Open tem a fama de os jogos entrarem madrugada a dentro quase todos os dias.

É normal depois de um torneio eu perder de 4 a 5 quilos, pois mesmo que você tenha o mais delicioso prato de comida a seu lado, o tempo não te permite comer. É raquete atrás de raquete e dependendo do dia, sem parada nenhuma. Resumindo: tem seus lados positivos e negativos, mas no meu caso. Gosto muito deste ambiente e então o lado positivo supera os negativos para mim.

Quais atividades suas com o tênis atualmente?

Hoje atuo como encordoador profissional mundo a fora pelo Yonex Stringing Team (time de encordoamento profissional patrocinado pela Yonex, marca japonesa de equipamentos e uma das melhores raquetes do mundo).

Tenho minha loja de equipamentos, consultoria e customização de raquetes em Alphaville – Baruei – SP em frente ao Alphaville Tenis Club. Não tem um dia que não jogo pelo menos 2 ou 3 horas por dia de tênis, pois estou sempre envolvido em consultoria com meus clientes e a melhor maneira de fazer isso é vendo e jogando com eles, sejam profissionais, juvenis ou recreativos, analisando e testando qual equipamento ficou melhor no jogo dele devido a combinação de técnica, preparo físico e equipamento.

Como encontrar os produtos ou o seu trabalho?

Ficamos a disposição de quem precisar, na Ponto de Contato Tennis Shop. Estamos situados à Alameda Amazonas, 938 – Loja 8 em Alphaville. Tratamos todos nossos clientes de maneira exclusiva, cuidamos me maneira igual tanto para o Rafael Nadal como para qualquer pessoa que adentrar nossa loja, esse é nosso maior produto.

Um dia imaginou estar nesta área?

Se um dia alguém me falasse que eu iria viver, ou estar próximo de tudo isso no tênis, eu diria que é um sonho. Nunca imaginei que isso era possível, quanto mais estar vivendo este sonho. Ao mesmo tempo, acho que foi uma coisa que plantei e cultivei com bastante empenho e dedicação. Horas e mais horas de trabalho intenso e muito estudo. Como minha amiga Marilia Chagas e seu marido Durval Chagas disseram no dia da inauguração de nossa loja: “O melhor de um negócio, não é o business em si. O melhor negócio é você mesmo”. Nunca esqueci as palavras e segui a risca este conselho. Quando se ama o que faz, o sucesso é inevitável.

Como a família convive com essa dinâmica?

Sou abençoado de ter a família que tenho. Em primeiro lugar tenho aprovação de 100% da minha esposa quanto a esta vida que levo. Quando estou em viagem ela é quem assume a frente de nossos negócios e toma conta, lida com tudo isso da mesma maneira que eu lidaria. Meus filhos respeitam, gostam do tênis e sabem que isso é o trabalho dos pais, como qualquer outro, como um executivo que viaja a trabalho também. Para nós o tênis é o caminho para conquistar um objetivo maior, como um dentista, um médico, um professor. Eu e minha esposa costumamos dizer que não trabalhamos. Nos divertimos.

Por Moisés de Camargo – Circuito de Notícias/Editoração de Conteúdo

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